CRISES E CRISÁLIDAS: algo de novo há de surgir!
   ÉTICA, EST-ÉTICA E COSMÉTICA

     II Parte

 

No salão Via Brasil*   

Às vezes, me pergunto se a televisão fosse colocada na cozinha, ao invés da sala ou quarto, será que ficaríamos mais aguçados, menos sonolentos, com mais tempero? O controle remoto parece anestesiar nossa vontade de apagar o que estamos vendo e ouvindo. Quando fazemos alguma ação, com ele na mão, só mudamos o canal. Diga-se de passagem, que os “donos do salão”  mudam os canais com muita rapidez, automaticamente, sem nem pensar no programa. As mulheres não possuem tanto esse hábito. Mas os serviços estéticos e cosméticos estão aí para todos. A vaidade está presente nos gêneros humanos. Um bom corte, uma maquilagem, aquela aplicação de botox¥, tudo ajuda a melhorar a aparência, a embalagem. Pode-se alongar ou reduzir, fazer caras pintadas ou mascarar as caras, erguer o que está caído, até diminuir futuras dores de cabeça. E qual a nossa atitude? Desistir por encontrar a mesmice em todos os canais. Será a técnica de recebermos imagens prontas, e, não somente vozes, que nos impede de pensar e imaginar? Lembro da “Voz do Brasil”, programa que se perpetuou no rádio, habitualmente ouvido pelas famílias. Cada vez pensamos menos no Brasil (coloque a vírgula se preferir). Vemos tv sem atitude crítica de ética, não exigimos a estética e nos conformamos com a cosmética. Absorvemos notícias ou suas versões, novelas e filmes enlatados; vemos e ouvimos opiniões de formadores que pretendem desmascarar hipocrisias, jogando fora a criança com a água do banho. Essa deve ser trocada, mas sem sacrificar a criança que ainda existe no povo. A esperança da ética. Queremos programas inteligentes, estéticos e éticos. Quem pode pagar a assinatura e têm acesso aos programas políticos ao vivo, acompanham as CPI’s. Mas cada uma delas é apenas um capítulo da mesmice. Culpas não assumidas e desculpas esfarrapadas. Vaidades nas mais diversas idades. Omissões claras e missões nebulosas. Cosmética mais do que ética. Cortes produzidos tecnicamente e recortes mal feitos, intencionais. A atitude crítica não é desenvolvida se nos acomodamos e nos “com- formamos” diante do que nos é oferecido pela mídia televisiva. Tudo é cosmeticamente apresentado. Raras são as exceções. E quase sempre nem dá tempo para descobrir onde estão as exceções. Seja pelo automatismo, conformismo ou pela preguiça. A preguiça faz parte do humano. Já dizia Ortega y Gasset que é a preguiça que cria a técnica. Utilização do melhor recurso para se fazer uma coisa, mesmo que seja a mesma coisa que se fazia anteriormente. Aí está a web, com pouco poder de mudança, por nossa culpa, e daqui a pouco teremos a tv digital.  A mão que está fraca para apagar a televisão ou  mudar o canal, e a cabeça que não pensa, são as mesmas que votam. Vamos de-votar- nos ao Brasil, pensar e agir. Buscar dentro de nós a forma de ajudar a construir uma nova ética. Não quero aceitar a troca de ética por cosmética!  



* a chamada é apenas ilustrativa e simbólica. Não existe referência a algum empreendimento que possa existir com o mesmo nome, assim como todas as imagens reproduzidas no salão: cedidas e editadas, ou, capturadas em sites de internet.  

¥ Botox pode ser usado para prevenção da enxaqueca: estudos recentes mostram que o uso da toxina botulínica, conhecida como botox, pode ser usada na prevenção da enxaqueca com bons resultados clínicos. A aplicação é feita em pontos além dos que são regularmente feitos em dermatologia estética, normalmente apenas na testa. Para melhores resultados com a enxaqueca, deve-se aplicar nas regiões temporal, occipital e muitas vezes na região cervical.  Capturado no site www.cefaleias.com.br em setembro de 2006

 



Escrito por Corina às 13h27
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   ÉTICA, EST-ÉTICA E COSMÉTICA

 

                       I parte

 

          Muita parada no pedaço 

 

Hoje, sete de setembro, após uma “parada”, não só a de hoje, que ocorre nas vias do Brasil, volto a escrever. Penso sobre o quê das crises está surgindo como novo (minha intenção primeira neste blog). Depois de tanto tempo mergulhado em crises, será que o povo vai sair seco? Algumas poucas coisas mudaram, mais na forma técnica do que na atitude, e outras estão paradas. Quando falo em “parada”, lembro um dizer jocoso (que provocava riso) sobre a parada da semana da Pátria. “O dia da parada é o dia das lavadeiras: só tem tanques e trouxas na rua.” Hoje, tanques já não estão tão presentes, nas vias do Brasil, mas “trouxas” parecem que se conservam e até aumentam em número. Trouxas de vários tipos. As lavanderias automáticas tomaram o lugar das lavadeiras de beira do rio. A água ficou mais poluída, alguns rios secaram. Muito sabão novo apareceu, se bem que não lavam melhor ou diferente, apesar das embalagens modernas e marcas de legendas históricas. Algumas descartáveis. Outras, muito poluidoras. As redes, alimentadas pela internet, aguçam trocas de idéias, de sentimentos e até de sensações sexuais (pelo que se anuncia). Mas, pouco ainda é mudado no social através da comunicação em redes e devido à mídia. O hábito de ouvir e comentar programas de rádio, em torno da mesa da cozinha, como momento de convívio familiar desapareceu. A TV invadiu a família e parece que ficamos anestesiados, sentados no sofá ou recostados na cama, sorvendo um “medley” (mixórdia, miscelânea) de violência vivida e registrada em todas as áreas da sociedade mundial. Nos programas há falta de estética (mostrar o belo que suscita a diversidade de emoções e sentimentos) e ética (mostrar atitudes reguladoras da cultura que visam proteger os seres humanos do egoísmo de suas próprias vaidades e das vaidades dos outros).

 

Escrito por Corina às 16h24
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