| |
IMPRENSA E RESGATE DE VALORES
Se a imprensa falhou, falhou em quê? Uma idéia antiga sobre crédito e responsabilidade.
NOTA: Há sete anos, em primeiro de novembro, dia de Todos os Santos, nossa mãe - minha, da Marne e do Nemar -partiu. Faço essa homenagem com saudades, à mulher do Negus, político do interior do RS, à mãe carinhosa, avó e bisavó atenta e educadora, que sempre foi, e ainda é, por suas idéias, ao publicar nesse blog, que ela não chegou a conhecer, uma das ultimas páginas que escreveu.
Primeira Parte
Resgate dos valores humanos
A Criança e o Correio do Povo
Lulú Costa (minha mãe)
Como é bom! A criança crescendo num ambiente onde se aprende valores da vida: crédito, honestidade, sinceridade, respeito.
Ano de 1916, tinha cinco anos. Minha Avó deu-me o Correio do Povo; fiquei contente, ele era “cor de rosa”, eu gostava, achava bonito. Ela mandou ler porque “é um jornal que merece nossa admiração”. É criterioso, honesto, respeitoso, sincero, amigo.
Naquela idade, não entendi o significado dessas palavras, porém nunca as esqueci.
Minha avó era amiga de D. Dolores, esposa do fundador do Correio do Povo, que era amigo de meu Avô, José Canuto Cardozo, professor e matemático. Depois de viúva, com dificuldades financeiras, minha Avó recebia o jornal gratuitamente.
Nasci, e perdi minha mãe com 30 dias; minha Avó criou-me sempre com muito carinho e ensinando-me o que era bom. Ela comparava a mulher com o vidro: “procura sempre conservar-te por inteiro”.
Os anos passaram e, em 1926 minha avó faleceu. Quem tirou o caixão da sala foi o presidente do Estado do Rio Grande do Sul, Antônio Augusto Borges de Medeiros, que era amigo de meu avô. Primeira palavra que lembrei: amigo. É aquele que não nos esquece nos momentos tristes, nas horas amargas da vida. Compreendi uma das palavras que vovó me ensinou com 5 anos. Eu, agora, estava com 14. Achei tão lindo conservar amizades, anos após anos.
Várias casas comerciais fecharam suas portas dando oportunidade aos seus funcionários para prestarem homenagem a essa mulher formidável que havia falecido. Farmácia Fischer, Lopes Dias, Bordado Suisso, Annes Dias, Casa das Sedas, Casa Amorim, Casa Masson e outras que nem me recordo.
Estou escrevendo no dia 2 de Abril de 1999. No dia 29 de Junho, fará 73 anos que ela morreu e eu me lembro de suas palavras quando eu tinha cinco anos.
Escrito por Corina às 18h13
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
IMPRENSA E RESGATE DE VALORES
Se a imprensa falhou, falhou em quê? Uma idéia antiga sobre crédito e responsabilidade.
Segunda parte
Resgate dos valores humanos
A Criança e o Correio do Povo
Lulú Costa (minha mãe)
Com sua morte, compreendi o que significava a palavra crédito. Vinte e quatro horas após a morte de minha avó, a filha, Tia Corina, que era secretária da Escola Normal, hoje Instituto de Educação em Porto Alegre, mandou publicar no Correio do Povo que se alguém se achasse prejudicado com a morte de Francisca Saraiva Cardozo, ela pagaria.
Ela me chamou, e novamente ouvi a mesma palavra, ao dizer-me que crédito não era só usado na parte financeira. "Quando se fala alguma coisa, somos responsáveis pelo que falamos.” Aprendi mais um valor na vida.
“Agora terás que me respeitar”, algo que também aprendi. Na falta da vovó, ela tornou-se a responsável pela casa.
O que me levou a escrever essas recordações foi ver a falta de respeito de pessoas que ocupam cargos, hoje, o descrédito do povo para com seus políticos e a falta de amizade no mundo. Como, na véspera do século XXI, pode haver pessoas que desconhecem a palavra respeito, amizade e crédito?
Quando me criei não havia desconfiança como hoje há. Que pena! Depois de aprender tantas coisas boas. Tive ótima assistência espiritual com o Frei Pacífico quando fui internada no Colégio Sevigné. Quase fiquei freira. Mas depois que tirei o magistério - sou da turma de 1931- recebi o diploma e vim no dia 4 de Abril de 1932, como professora efetiva, trabalhar na terra onde nasci e de volta para casa do meu pai em Rio Pardo. Ele me ensinou muita coisa , era uma pessoa que o “fio do bigode” valia como documento; uma pessoa formidável. Era espírita mas apesar de idéias diferentes nunca houve uma discussão, ambos gostávamos de Paz!
Agora tenho a parte importante da minha vida: casei, tenho três filhos formidáveis! Dez netos e sete bisnetos. No ano de 1997, em novembro, eu completaria 64 anos de casada. Fiquei viúva no dia 10 de março daquele ano, mas tenho certeza que cumpri todos os ensinamentos da vovó. Apesar de morar sozinha, 88 anos, sou feliz, falo diariamente pelo telefone e continuo lendo o Correio do Povo, que vem me acompanhando durante toda a vida.
Escrito por Corina às 17h50
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
DAS BANDEIRAS EM SEGUNDO TURNO
Dando bandeira...
“Salve lindo pendão da esperança”... Os mais jovens talvez nem conheçam o Hino. Talvez nem saibam o que seja pendão. É bandeira, homenageada pelas palavras do poeta Olavo Bilac. Nossa linda bandeira, justamente, porque é da esperança. Há o verde esperançoso e o céu estrelado no infinito. Mais adiante o hino ainda afirma que o símbolo é “augusto da paz”. Augusto, sublime, majestoso e respeitável. Paz pela vocação do nosso povo. Sublime vocação : diversidade como berço primeiro e encontro das diferentes culturas compondo a sociedade. A sociedade, hoje, em segundo turno, parece esquecer isso. Pela escola, somos lembrados que novembro é o mês da Bandeira. Sem dar muita bandeira, porém, para o sentido do hino. Isso ocorre até com o Hino Nacional, quando se aprende, no máximo, a cantar. E salve-se quando é aprendido totalmente! Os versos são repetidos como tabuada. Decorado e ainda sem poder cantar usando os dedos. E, cheio de dedos estamos com o momento atual. Uns demais e outros de menos.
A eterna vaidade
O segundo turno não está trazendo nem esperança nem paz. Candidatos entre si, e eleitores, por reflexo fiel, estão se odiando. Lembro da candidata que falou que os dois partidos que sobraram tinham uma história de amor e ódio. Fala-se no aspecto passional. Na indignação e na raiva com ironia. Pelos debates, instala-se um poder personalizado revestido de antagonismo. Não se discute o que interessa, a vaidade tem mais pressa. Parece que as coisas estão sendo criadas por poucos, somente hoje, e não frutos de uma história, onde muitos cooperaram. O que difere é apenas as cores dos pendões dos partidos. As práticas são as mesmas. Pende-se para armações, armadilhas e malhos dos dois lados. Abacaxis, laranjas e certos “bananas”. Alianças, apoios que escandalizam. Inimigos no passado que são aceitos em nome do segundo turno. Idéias propostas num tal de “copia e cola” que dá o tom virtual dos trabalhos estudantis. Um fala hoje na proposta e o outro cola no programa seguinte. Letreiro com pouca imagem. Imagens, sempre as mesmas. Depoimentos coletados, argumentos que apelam para o emocional ou o racional. A tática dos “marqueteiros” tenta reforçar um ou outro lado do cérebro. A decisão do eleitor traz sempre juntos os dois. A decisão é tomada a partir de informação e sentimento. A razão e a emoção nos oferecem o filtro pessoal pelo condicionamento, história pessoal e pela reação no momento. A informação é coletada e vem de fora, e nós organizamos e a lemos de acordo com nossa razão e emoção. O sentimento é o que temos dentro de nós. O que perdura. O que é mais permanente do que a emoção. Nossos questionamentos são respondidos pelas informações. Nossos sentimentos são as nossas memórias afetivas e expressam nossos valores. Aquilo que rompe nossa indiferença. Os símbolos estão nos sentimentos. Os dados estão nas informações.
Cidadania sentida
E sentimento é diferente de emoção. Emoção é passageira. Eu não vivo a emoção da cidadania. Nós vivemos o sentimento de cidadania. Meus sentimentos e as informações me mostram que as semelhanças entre os candidatos são em maior número do que as diferenças... Então... “Por que me odeias tanto se eu nunca fiz nada para te ajudar?” Um ditado árabe que pode ilustrar a crise atual. O ódio entre os candidatos, travestido de ironia e repleto de rispidez, vem se espalhando entre os eleitores. Isso é risco e perigo. Perigo de exclusão, risco de violência entre cidadãos. Jornalistas comentam parecer briga entre torcidas de futebol. Tenho sentido nas redes virtuais de que faço parte que uns não estão conseguindo respeitar os outros. Demonstram um desagrado feroz se as idéias não são elogiosas a seu candidato. E quando são favoráveis, há um acordo mútuo para atacar os do outro lado. Sempre me desgostou a polarização, sem confronto leal. Ou um, ou outro. Segundo turno é prejudicial para a paz no social. Antes tudo fosse resolvido de uma vez só. O mais votado entre muitos. E acabava de uma feita. Voto obrigatório da democracia e esperança com paz da bandeira para a Re-pública, se ainda for coisa pública.
Escrito por Corina às 17h56
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
|
| |
| |
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ] |
|
|
|
|