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ALÉM DO DNA
uma reflexão a partir da violência e da ambição
um reino diverso e adverso
DNA todos recebem via natureza. São os dados da espécie que dão a primeira caracterização personalizada ao indivíduo. São dados atribuídos, porque não precisamos fazer esforço para obtê-los. Nossos pais o fazem e na maioria das vezes até gozam com isso. É um conjunto de atributos doados pela natureza. Pode-se dizer que DNA são “Dados Naturais Atribuídos”. O DNA do ser humano é até bem parecido com o de alguns animais, segundo o Projeto Genoma. Somos apenas um reino entre outros. Buscamos sobreviver e multiplicar a espécie, com erros de toda natureza. Para conviver é preciso um DHA, ou, “Dados Humanos Agregados”, que são acumulados em nossa história de vida. Vida individual e coletiva. Não é fácil o indivíduo agregar a seu DNA o seu DHA, como uma camada mais interna do Ser. É preciso ajuda externa. Cada um cria o seu Ser Humano a partir do esforço e do aprendizado. A família ajuda e atrapalha, a escola viabiliza e dificulta, a sociedade estimula e bloqueia. Apesar dos fatores adversos, é tarefa de cada um criar seu DHA.
no balanço das horas
É no humano que surge a diversidade, pelas diferentes histórias de vida. A atenção à diversidade, pensada como ponte para aproximar os sujeitos das histórias, não atingiu seu objetivo. Talvez, mais por descuido, e menos por intenção, criaram-se ilhas. As diferenças foram exacerbadas e fecharam os indivíduos entre si. E quando saem é para atacar ou fugir, as duas reações do medo. O balanço da sociedade está entre o medo e a raiva. Vivemos nossas horas, com medo num minuto e raiva no outro. Quando a raiva é maior, há o ataque. Quando o medo é maior, há a fuga. Balançamos, indefinidamente, entre esses dois sentimentos com atitudes mais naturais do que humanas. O discurso da diversidade exacerbou o efeito da exclusão, pelo viés do capitalismo. Quem tem mais, está naturalmente incluído; quem não tem o tanto, sente-se totalmente excluído. Quem tem mais, quer ainda mais por ambição, e quem tem menos quer mais pelo uso da violência. Ambos estão com medo. Ambos estão com raiva. A real exclusão, no entanto, não é coisa de ter mais ou de ter menos. Acontece ao deter o indivíduo, devido aos atributos do DNA e pelas falhas do DHA. Estou sendo excluído quando me barram pela cor da pele, por deficiência visível, pela idade ou pela minha origem - coisas que não posso mudar na minha história de vida. É ação que vem do preconceito, por erro no DHA.
iDEAlizar para conVIVER
Para criar pontes é necessário outro conjunto de dados constitutivos da pessoa: o DEA, “Dados Espirituais Acolhidos”. Urgente se faz que possamos repensar os currículos, o convívio, exemplos, ações e discursos, perdendo o medo da espiritualidade, de viver e conviver dentro dela. Espiritualidade não é convicção religiosa, assim como democracia não é política partidária. Governo, empresas, rede não governamental, e, cada um de nós, individualmente, necessita incorporar à prática, o discurso da solidariedade. Solidariedade, com interdependência e responsabilidade recíproca, tem sentido, hoje, na transformação do mundo, não porque existam diversidade e exclusão, mas porque existe o caráter de unicidade, que é qualidade ou estado do que é único. O espírito, o aprender, a escolha de nossas ações, a consciência de nossos atos e a possibilidade de superação é que temos como qualidades únicas. Os três conjuntos de dados são essenciais para nossa existência na Terra com paz, a partir de nossas essências naturais, humanas e espirituais. Aqueles dados atribuídos pela genética, os agregados pelo nosso esforço e os acolhidos por superação. É urgente acolher dados espirituais em nossas vidas para que os seres humanos naturais não desapareçam daqui a pouco.
Escrito por Corina às 12h56
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