CRISES E CRISÁLIDAS: algo de novo há de surgir!
   PARA ISABELLA: A RAIVA NOSSA DE CADA DIA

DO HUMANO DESUMANO

Estamos diante de fatos humanos. O humano que nos apavora quando escapa a nossa compreensão e nos leva a dizer que alguns agiram como animais. Mas os animais cuidam das crias e aceitam criar até filhotes de outras espécies. Por que o ser humano chega a ser tão cruel em sua natureza?

Reage-se com violência contra os que parecem ser diferentes e nos desafiam, mesmo sem saber. Aqueles que para aceitarmos, verdadeiramente, é preciso que a gente mude alguma coisa dentro de nós. Ou ainda, podemos reagir, violentamente, contra os muito próximos que ameaçam nossa vida de estabilidade. Nossas experiências nos modelam e somos responsáveis pelas nossas ações, com todas as suas conseqüências. Só podemos viver e construir, exclusivamente, a nossa própria vida. Somos seres materiais vivendo experiências espirituais ou seres espirituais vivendo experiências materiais? Sem discutir crenças e evitando a tendência de analisar e julgar comportamentos, desejo extrair do crime bárbaro uma reflexão.

Quero refletir sobre algo que podemos sentir em alguns momentos de nossas vidas, mas que se torna um grande risco ao ficar presente em todos os dias de nossas vidas: a raiva.

ENERGIA DO DESATINO

A raiva corrompe o indivíduo por dentro. Na maioria das vezes, lentamente. Até no popular se afirma que a raiva é surda. Ela não ouve nada quando faz parte da vida de uma pessoa. Ao se transformar em atitude constante, move comportamentos e não escuta. Pode gerar ações desatinadas.

Existe uma filosofia e terapia japonesa: Jin Shin Jyutsu, que vê a raiva como uma força que pode separar a alma do corpo, porque ela cria na pessoa uma energia muito intensa e desestabilizadora. Perde-se a harmonia consigo mesmo e com os outros. É uma atitude rígida que se alimenta e cresce dentro da pessoa de forma descomunal.  

A raiva que vem do animal, tipo cachorro, gato ou morcego, e se instala como doença no indivíduo possui vacina. Essa vacina pode curar.  E a raiva que vem do humano, daquele que não quer sentir frustração em sua vida, que se revolta ao ser contrariado, que agride ao outro com desatino, que pode se voltar contra si mesmo, que não vê limites para acabar com os obstáculos para conseguir o que deseja... Como essa raiva pode ser tratada? Qual a vacina?

Ouve-se que o contrário da raiva (ódio, ira, grande aversão) é o amor. A vacina para a raiva, então, deveria ser aumentar o amor.  Mas como é possível transformar a raiva - um sentimento que desestabiliza e desarmoniza a vida - num sentimento que é em si a mais plena harmonia humana e espiritual? Enquanto existir raiva naquela vida, não haverá espaço para o amor. Existe somente a frustração constante dos maiores desejos, seja ela representada por uma pessoa ou por uma situação, que causa a rejeição total e absoluta. E o amor é, ao contrário, aceitação plena.

PROCURA-SE A VACINA

Usa-se, algumas vezes, a frase: - Estou explodindo de raiva! Aí está a pista para o antídoto se quisermos administrar a raiva em nossa vida.

Qualquer explosão só ocorre depois de um certo tempo e pode ser desativada em seu processo a qualquer momento antes que se efetive na ação. Para isso, existem os profissionais em desarmar as bombas que podem explodir. E quem pode desarmar nossas bombas de raiva? Somente cada um de nós.

A vacina é a Paz-ciência. Ciência da Paz. Se desenvolvermos a paciência como uma atitude em nossa vida, ficaremos cientes de que a situação que está nos frustrando passará no tempo. Nada permanecerá. A criança crescerá e se transformará. Eu serei capaz de mudar se quiser. Minha vida está menos estável hoje, mas amanhã estará mais satisfatória. Meu conforto está diminuído, porém logo mais  me sentirei mais confortável novamente.

Hoje estou escrevendo, depois de tanto tempo, porque sinto uma raiva danada, aqui dentro do peito, mas estou desenvolvendo a paciência para aguardar a justiça que se fará no tempo para Isabella. Que outras bombas de violência familiar, através da Paz-ciência, venham a ser desarmadas antes que tanta raiva possa explodir entre nós! 



Escrito por Corina às 23h26
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